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2.6.09

Andanças noturnas contrabaixisticas

tarde de sábado, cache pros lados de Tucuruvi. Desço na Parada Inglesa, 20 minutinhos empurrando o Aristoflênio, com direito a belas ladeiras e descidas ingrimes...cheguei! Missa rolando, espero pelo fim, ensaiozinho básico, quase 2 horinhas...quando num aguento mais, começa a bagaça: Missa na Igreja de Santa Joana D'Arc! Dor nas costas, coral bão e diversão. Saldo final, o suficiente pra pagar a inscrição de Campos...encho o bucho e agora só 15 minutinhos de volta, com menos ladeiras e mais descidas...eis a Parada Inglesa. me perguntam do Pub, num sou daqui...passo com o baixo, estou indo tocar, segundo elas...

Entro no primeiro vagão, domino o banco inteiro, um assento é meu e outro da mala...então o tiozão entra em ação:
-É um violão? pergunta ele;
-Contrabaixo, respondo eu;
silencio apreciativo da monstruosidade chamada contrabaixo
-Grande hein!
-Grande! repete o cara do chapéu de boiadeiro, de olhos arregalados
-Você toca? pergunta ele
-Toco, respondo, pensando dentro de mim algo como 'não, carrego de feliz mesmo'
mas mantenho o bom humor, afinal, qual o motivo pra perde-lo?
-Você é de onde? pergunto eu, curioso, imaginado que o cara seja dos cafundós
Na primeira não entende, barulho do metro...na segunda, responde:
-Sou paraense, o que entendi paranaense, apesar de não parecer
-Hã?
-Pa-ra-en-se!
Chega mais um cara que tava do outro lado, com visual anos 60 moderninho, padrão Rockabilly...num deu outra! Chegou perguntando da capa, onde comprei, 'é do Paulo Gomes né?', comenta que toca também, mas, adivinha: Rockabilly.
Cara gente boa, papo vai, papo vem, histórias do japa subindo no baixo emprestado e destruindo o bagaço e fingindo que num foi ele...desce na Sé.
Enquanto me despedia, bafo na cara do cara do lado me chamando. Me senti importante, super requisitado! O brother rockabilly desce, nos despedimos como se nos conhecessemos a tempos...no fundo, somos baixistas, superiores!
Viro pra minha direita, bafo na cara, o cara que tava sentado atras do chapéuzinho que entrou na Parada Inglesa, pergunta se vou descer logo. Olho com cara de interrogação 'Que te interessa', penso...
-A minha amiga (ou era namorada) ta com vergonha, mas ela queria saber se vc topa tirar uma foto com o baixo...ela é fotógrafa e vai fazer uma exposição com fotos dentro do metro de pessoas ou coisas surreais (ou algo assim)
Perguntas óbvias, viro pra ela, pergunto o nome, sobre seu projeto, ja que ela é a fotografa, ele só o agente...
-'Cabei de tirar foto dum cara com a cara do Slash...
Comenta sobre as bizarrices costumeiras do metro paulistano...
Então penso, nada a perder e ainda ganho uma foto dentro do metro..hummm, fechou!
Levanto e pergunto 'é só tirar a foto né? Só posar?'
-Isso, responde o agente - Mas sem a capa
Putz, penso eu...ah, belê!
Tiro a capa, tiro o agasalho de dentro do baixo e taco no banco, que pega na cabeça duma mulher inocente, que nem liga...mando o cara segurar a capa (pelo menos assim ele faz alguma coisa!)
Poso com a porta às minhas costas e então ela manda eu ficar no meio do vagão, de costas pro corredor, e ela chuta a foto...dô uma zôiada, curti!
Ela passa o flickr, e tô na espera até agora da foto...
Casal desce no Paraíso, sigo pra Santa Cruz, chêgo, caroninha paterna e tô em casa, feliz da vida, por ser contrabaixista!

10.4.09

Chique no urtimo

Mais um post de minhas andanças contrabaixisticas por São Paulo...mais uma nos arredores da Sala São paulo, na região da Julio prestes...

Saí da minha aula de contrabaixo com meu professor e fomos ao xerox no quarteirão do lado copiar umas partituras...como eu estava com o baixo, fiquei esperando na porta e ele subiu a escada e copiou...então, saímos, peguei as partes e então uma senhora nos parou, pedindo 75 centavos pra ela pegar o trem, se num me engano...era daquelas senhoras bem simples, com uns pêlos enormes que sempre me lembram aquelas bruxas de contos de fadas, com uma baita duma verruga com aquele pêlo saíndo da verruga...num sei porque, mas eu acabo me fixando mais no pêlo do que na senhora ou no que ela estava falando...então meu professor deu os 75 centavos e ela agradeceu. Agradeceu muito, a ponto de parecer que ia começar a seguir a gente porque precisava agradecer o máximo possível...então, quando já tinhamos entendido, ela virou e perguntou o que era aquilo e meu professor disse que era um contrabaixo...ela perguntou se eu tocava aquilo, com um tom de surpresa, impressionada e ele disse sim...então ela arregalou os olhos, virou pra mim, deu um belo dum sorriso e falou "Chique no último!" Meu professor e eu não pudemos deixar de dar risada e então cada seguiu seu caminho...

9.4.09

David Ellis

Dear Leonardo, I think your performance translated my wishes very clearly and with much dramatic flair.
You understand very well what I want to portray in the music - the contrast between aggression and calm, for example - but you always maintain a clear rhythmic line (so important in music for a solo instrument), and particularly in this piece, which could become too "rhapsodic" in the hands of players without your technical discipline.

Congratulations and thanks.

David Ellis.

(escrito dia 20 de novembro de 2008, sobre meu video tocando sua composição)



3.4.09

Jazzy...

Estava eu saindo da Sala São Paulo carregando meu contrabaixo, como sempre, quando passou um figura, meio bicho-grilo, meio ruivo, meio careca, meio barbudo e muito figura!!! Então ele veio na direção, apoiou uma mão no baixo e disparou "Hey man, I love the bass! I want to play with you sometime!" Fiquei meio chocado, porque o cara era gringo, tinha jeito de ser ingles ou das quebradas lá, pelo sotaque, a cara de irlandês e o provável teor alcoólico de seu sangue...então perguntei em meu inglês toeflistico que instrumento ele tocava. Então ele continuou "I play the guitar, the flute, but I like to make it more Jazzy"...mas o detalhe é a intonação meio diabólica, meio hippie-alucinado, meio mole, do "Jazzy", acompanhada por todo um jogo de corpo que acompanhou a frase até sua terminação, com ele ja meio agachado, mas não a ponto de se ajoelhar...então ele virou e seguiu em frente...e eu, como única coisa que tinha a fazer, segui meu caminho morrendo de rir...essas coisas fazem meus dias de empurrados de contrabaixo pelas ruas de São Paulo no centrão Hardcore mais alegres...